Sílvio Romero


Sílvio Romero


Sílvio Vasconcelos da Silveira Ramos Romero (Lagarto, 21 de abril de 1851 — Rio de Janeiro, 18 de junho de 1914), filho do comerciante português André Ramos Romero,  e de D. Maria Joaquina Vasconcelos da Silveira Ramos, também de origem lusa, foi professor, ensaísta, juiz de direito, folclorista, crítico literário, polemista, historiador da literatura brasileira, bacharel em direito pela Faculdade do Recife, lente das Faculdades de Direito do Rio de Janeiro e do Collegio Pedro II e poeta. 




Pais de Silvio Romero











No ano de seu nascimento a vila onde moravam seus pais fora atingida por uma epidemia de febre amarela, assim, quando criança, sua mãe, acometida pela doença, não pode lhe amamentar, sendo levado para a casa de seus avós maternos, Luís Antônio Vasconcelos e Rosa Ludovina da Silveira, no Engenho Moreira (Cachoeira), localizada nas proximidades do Rio Piauí.


No Engenho, Silvio fora entregue aos cuidados de Antônia, mucama a quem foram confinado os desvelos da meninice e quem o ensinou os primeiros conhecimentos. Antônia e "as velhas rendeiras" que viviam no Engenho ensinaram-lhe inúmeras histórias. No Discurso de Recepção (por Coelho Netto), o amigo depõe certa recordação do colega literato sobre estes momentos da infância:
"E então contava, como me contou, certa noite, a um esplêndido luar, na praia branca onde as ondas, palhetadas de ardentias, suspiravam na areia as suas trovas quérulas:
Engenho MoreiraEm menino, o meu maior encanto era, à noite, no copiar ou na eira, entre crianças, ouvir as velhinhas que, com a almofada ao colo, urdindo o crivo, cantavam xácaras peninsulares, narravam conselhos, ou espavoriam o auditório ingênuo com histórias sombrias em que aparecia a iurupari ou o saci saltava num pé só, aluminando a brenha com o olhar esbraseado, quando não era o caapora, senhor da mata, que rompia das profundezas com estardalhaço de ramos, montado num caetetu monstruoso que afocinhava as sapopemas, grunhindo e estralando os colmilhos. E fábulas e lendas, umas irradiando com o aparecimento de Rudá, o sol; outras melodiosas do canto múrmuro das iaras, ou então os contos que faziam rir os pequeninos com as astúcias do jabuti, as manias do maçado e as palermices da onça, sempre ludibriada pela esperteza dos animais matreiros. Ah! meu amigo, nunca livro algum, por mais notável que fosse o seu autor e mais celebrada a sua fábula, conseguiu atrair-me como aquelas velhas o faziam com o ímã dos seus racontos."



Em sua cidade natal, iniciou os estudos primários, cursando na escola do professor Bonfim, professor particular que, segundo apontam em registros, costumava morder as orelhas dos alunos que não cumpriam com seus deveres. Após um aluno tê-lo envenená-lo e com a morte de seu mestre antigo, foi cursar na escola do mestre Badú, conhecido por ser alcunha do professor Miguel Teotônio de Castro (com quem Tobias Barreto estudou Português).
Nos últimos tempos da escola primária, Sílvio lembra dois livros que foram úteis na construção da base do mestre de letras:

" Um - Epítome da História do Brasil, de J. P. Xavier Pinheiro, por causa da descrição de nossa terra - de Rocha Pita, que ocorre logo nas primeiras páginas: ' O Brasil, vastíssima região, felicíssimo terreno, em cuja superfície tudo são frutos...'
Outro, os Lusíadas, por muitos trechos que me encantavam.
O Brasil da descrição de Pita ficou sendo o meu Brasil de fantasia e sentimento, a poesia de Camões ainda é hoje uma das mais elevadas manifestações da arte, no meu ver e sentir, e com seu ardente amor da pátria, fortaleceu meu nativismo"


Vila de Sergipe em que Silvio Romero nasceu


Ateneu Fluminense Em 1863, aos doze anos, após a conclusão das primeiras letras, André e Maria prepararam o enxoval de Sílvio e este partiu para a corte, a fim de fazer os preparatórios no Ateneu Fluminense dirigido pelo Monsenhor Antônio Pedro dos ReisSílvio afirmou, mais tarde, aos professores de aprendizado de línguas estrangeiras naquele colégio, "guardar reminiscências de cinco homens que influíram assaz no seu pensamento"; Entre eles estavam: Padre Gustavo Gomes dos Santos (lente de Latim), Joaquim Veríssimo da Silva (filosofia), Padre Patrício Muniz (Retórica e Poética), Francisco Primo de Souza Aguiar (História e Geografia) e o Barão de Tautphoeus (ensino do germanismo e etnografia). 


Em 1868, regressou ao Nordeste e matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife. E esteve entre 1868 e 1873, local apropriado para uma renovação da mentalidade brasileira , onde foi bastante influenciado pelo também estudante Tobias Barreto. Em fins do ano de 1869, Silvio começou a aparecer na imprensa do Recife estimulado por Tobias Barreto e pela polêmica entre o padre Pinto de Campos e o general Abreu e Lima, a propósito de Bíblias falsificadas.

"E como eu provasse que o Sr. Padre Campos faltara a verdade, disendo que o novo testamento impresso em Londres estava falsificado, quando era tão perfeito como estava na biblia do Padre Antonio Pereira, veio com sua resposta, acervo de desconxavos, de disparates e de lugares communs, que tão facil me foi desfaser e pulverisar. Nessa resposta eu fui porcamente agredido, e estupidamente elameado pelo Sr. Padre Campos."

 Junto com outros alunos, eles integraram a Escola do Recife, também chamada “Geração de 71”, movimento de caráter sociológico e cultural que buscava uma renovação crítica brasileira e serviu, por muito tempo, de espaço para debates sobre sociologia, antropologia, crítica literária e estética. Romero, no início, foi positivista. Distinguiu-se, porém, dos que formavam o grupo do Rio, entre eles Miguel Lemos, que levava o Comtismo para o terreno religioso. Espírito mais crítico, Sílvio Romero se afastaria das idéias de Comte para se aproximar da filosofia evolucionista de Herbert Spencer, na busca de métodos objetivos de análise crítica e apreciação do texto literário.  Silvio Romero é considerado a figura central da segunda fase (1875-1878) da Escola do Recife ou Geração de 1871. O próprio, ao referir-se ao movimento intelectual daquele tempo, sob os auspícios da Escola do Recife, disse: 

Um bando de idéias novas esvoaçou sobre nós de todos os pontos do horizonte. Positivismo, evolucionismo, darwinismo, crítica religiosa, naturalismo, cientificismo na poesia e no romance, folclore, novos processos de crítica e de história literária, transformação da intuição do direito e da política, tudo então se agitou e o brado de alarma partiu da Escola do Recife”.


Faculdade de Direito de Recife, na Rua do Hospício


O Recife estava agitado e demonstrava o seu entusiasmo, louvando os feitos dos soldados e de seus comandantes, nos combates da guerra com o Paraguai. Aquele Recife intimidado pela força da repressão aos seus movimentos mais importantes - 1817, 1824, 1848 - desaparecia diante da mobilização dos jovens e dos intelectuais, nas ruas, clamando por um Brasil novo, republicano e sem escravos. Os cenários politizados para a exaltação da nacionalidade alimentavam o ânimo da luta. Tobias Barreto, com seus poemas patrióticos, renovava a poesia, marcando-a com o sentido social que representou o último movimento do romantismo poético brasileiro, tendo ao seu lado Castro Alves, cuja poesia foi identificada como “condoreira”, pelas imagens metafóricas, de rara beleza: 

“A praça é do povo/
como o céu é do condor”.

Foi durante esse período também que ele iniciou a colaboração para periódicos pernambucanos. Começou a sua atuação jornalística na imprensa pernambucana, em seu 2º ano de Direito, publicando a monografia: A poesia contemporânea e a sua intuição naturalista e continuou com versos e uma série de mais de 30 artigos com críticas ao romantismo e poesia da época. Desde então, manteve a colaboração, ora como ensaísta e crítico; ora como poeta, nas folhas recifenses. A partir de 1869 Sílvio Romero começou a produzir os primeiros trabalhos, publicados a partir de abril de 1870 no jornal A Crença (A Poesia dos Harpejos Poéticos, crítica ao livro de Santa Helena Magno, O que Entendemos por Poesia, duas cartas endereçadas a Manoel Quintiliano da Silva, A Poesia das Falenas, crítica ao livro de Machado de Assis), em O Americano, dirigido por Tobias Barreto, ainda em 1870 (A Poesia das Espumas Flutuantes, crítica ao livro de Castro Alves), no jornal Correio Pernambucano, em 1871 (Sistema de Contradições Poéticas, crítica, A Poesia e os Nossos Poetas, crítica a Gonçalves de Magalhães e a Gonçalves Dias), no Diário de Pernambuco (A Propósito de um Livro, crítica a Peregrinas, de Vitoriano Palhares). Em 1872 escreve no Movimento (Uma Página sobre Literatura Nacional, Realismo e Idealismo, As Legendas e as Epopéias), colabora no jornal O Maravilhoso (A Poesia e a Religião, A Poesia e a Ciência), e fecha as suas colaborações de 1872 no Diário de Pernambuco (Camões e os Lusíadas, As Cartas de Senfrônio e Cincinato contra Senio), no Jornal do Recife (A Rotina Literária) e na República, do Rio de Janeiro (Uns Versos de Moça, crítica ao livro Nebulosas, de Narcisa Amália, tratando da alegria e da tristeza na obra poética). Em 1873, ainda no Recife, escreve no Liberal (A Crítica Literária) e no Trabalho (O Romantismo no Brasil e em Portugal), encerrando uma colaboração que ele próprio intitula de A Poesia Contemporânea.
Dona Clarinda Diamantina Correia de AraújoAssim que se formou, exerceu o cargo de promotor na comarca de Estância, cidade a 70 quilômetros de Aracajú (SE). Atraído pela política, elegeu-se deputado à Assembléia Provincial de Sergipe, em 1874. Pouco depois de sua curta atuação política, é exonerado do cargo. Em 1875 volta ao Recife, onde publica o livro Etnologia Selvagem e onde aos 25 anos casa-se com a pernambucana Clarinda Diamantina Correia de Araújo de 15 anos de idade, irmã de Francisco Altino Correia de Araújo, que tomou o nome de Clarinda Diamantina de Araújo Romero, conhecida entre os amigos como Dondon. O primeiro filho do casal, André, nasceu em Parati, em 1877; os demais filhos, João, Edgar e Clarinda, já nasceram no Rio de Janeiro. Silvio Romero ainda se casou mais duas vezes com Maria Liberato e Petronila Barreto - Ainda neste ano, tenta ser professor de Filosofia no Colégio das Artes. Seu desejo parecia que ia dar certo, mas mesmo aprovado em primeiro lugar no concurso para tal, a Congregação resolveu anular o concurso. Nesse concurso, Sílvio Romero se ergueu contra a Congregação da Faculdade de Direito do Recife discutindo, com grande vantagem, com professores como Tavares Belfort e Coelho Rodrigues Durante os exames, Sílvio Romero afirma um traço do seu perfil, que levaria por toda a vida, o do polemista radical. Segundo os registros, no meio de um questionamento, Sílvio Romero teria dito: “Nisto não há Metafísica, Sr. doutor, há lógica”, ouvindo como resposta, do professor Coelho Rodrigues, que “A Lógica não exclui a Metafísica”. Sílvio Romero, provocador, diz: “A Metafisica não existe mais, Sr. doutor. Se não sabia, saiba”. “Não sabia”, disse o examinador. “Pois vá estudar e aprender para saber que a Metafisica está morta”. Coelho Rodrigues pergunta: “Foi o senhor quem a matou?” “Foi o progresso, foi a civilização”, respondeu Sílvio Romero gritando e provocando a banca. O episódio retira Sílvio Romero do Recife.
Em fins de 1875, transferiu-se para o Rio de Janeiro.  Em 1876, o casal foi morar em Parati (RJ), onde ele foi nomeado juiz municipal, e ali demorou-se dois anos e meio. Durante o período de permanência na cidade, recolheu diversos exemplares de cantigas do povo. José Alberto da Silva diz, em seu livro sobre Sílvio Romero, que, “com seu inseparável caderninho de notas, Sílvio Romero ia escrevendo as cantigas que ouvia, fazendo sempre questão de registrá-las fielmente, para o que, muitas vezes, quando a festança terminava, fazia vir à sua presença o principal cantador, a fim de lhe solicitar uma espécie de conferência do que havia sido anotado”. Quando viveu em Pernambuco, Sílvio Romero efetuou recolhas e, ainda no final dos anos 70, quando começava a publicar os seus artigos sobre a cultura popular, pedia ao seu amigo Carl von Kozeritz, alemão que vivia em Porto Alegre e que divulgava a obra de Tobias Barreto, que recolhesse material literário popular. Em 1878, publicou o livro de versos Cantos do fim do século. 
[...] continuai, continuai, poetas e romancistas, estudai os costumes provincianos; reproduzi nos vossos cantos e nas vossas novelas o bom sentir do povo, quer do norte quer do sul; marcai as diferenças e os laços existentes entre essas gentes irmãs, que são o braço e o coração do Brasil (Silvio Romero, em História da literatura brasileira). 
Em 1879, já fixado no Rio de Janeiro, Romero contribuiu para o jornal O Repórter e, quando encerrou suas atividades, em agosto de 1879, Silvio Romero passou algum tempo sem escrever. Pouco depois, recebeu convite de Franklin Távora para ser colaborador efetivo da Revista Brasileira. Neste periódico, Silvio escreveu artigos de várias temáticas: folclore, poesia popular, literatura. A repercussão positiva confirmavam a sua notoriedade. Entretanto, como sempre fez críticas ao romantismo, Silvio não se furtou de investir numa das mais violentas ao publicar o seu quarto e polêmico livro A literatura brasileira e a crítica moderna, no qual ele classificou a mentalidade do país como “mesquinha e pobre, desconceituada e banal”, fruto de um “povo que não pensa e não produz por si”.
A vida espiritual brasileira é pobre e mesquinha, desconceituada e banal para quem sabe pensar à luz de novos princípios. [...] Eis-nos dando o espetáculo de um povo que não pensa e não produz por si. [...] Basta considerar, por agora, a renovação romântica deste século com o seu ponto predileto – o indianismo. Nas grandes nações da Europa, como a Inglaterra e a Alemanha, o romantismo foi, em parte, uma volta aos sentimentos populares, uma ressurreição do passado no que ele tinha de mais aproveitável. [..] Dizem que um dos méritos do movimento romântico europeu é haver contribuido para tão fecunda renovação. No Brasil, passaram-se as coisas diversamente. A romântica brasileira teve o prestígio de falsificar e obscurecer o estudo de nossas origens e acumular trevas sobre os três primeiros séculos de nossa ezistencia.
 Depois disso, ele começou a ser excluído do círculo literário do Rio de Janeiro. 
Em 1880, prestou concurso para a cadeira de Filosofia no Colégio Pedro II, conseguindo-a com a tese Interpretação filosófica dos fatos históricos. Depois de publicar Últimos harpejos, em 1883, abandonou as tentativas poéticas. A década de 80 foi triste. Perdeu a mulher, em 1886, assumindo, sozinho, a criação dos filhos que teve com D. Dondon. No ano seguinte conhece Maria Liberato, nascida em Curitiba, no Paraná, com quem casa. Conhecida como D. Vidinha, a segunda esposa dá a ele mais três filhos: Sílvio Romero Filho, que foi diplomata, Nelson Romero, que foi professor, e Sílvia. Morre, no Recife, pobre e dependente da caridade pública, seu conterrâneo e amigo Tobias Barreto. Sílvio Romero mobilizou amigos, percorreu vários lugares, levantando recursos para tratar Tobias. Com a morte do chefe da Escola do Recife, Sílvio Romero tomou para si a responsabilidade de fazer novas edições do autor de Estudos Alemães, todas elas prefaciadas e anotadas.
 Já fixado no Rio de Janeiro, começou a colaborar em O Repórter, de Lopes Trovão. Ali, publicou a sua famosa série de perfis políticos.  Em 1891, produziu artigos sobre o ensino para o jornal carioca Diário de Notícias, dirigido por Rui Barbosa. No mesmo ano, foi nomeado para o Conselho de Instrução Superior por Benjamim Constant. Sílvio Romero também fez parte do corpo docente da Faculdade Livre de Direito e da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Republicano, dando à causa o testemunho de sua coragem e da sua participação, fundando O Laranjeirense, mais tarde transformado em O Republicano, em Laranjeiras (SE), de onde fazia irradiar a propaganda, Sílvio Romero cobrava de Felisbelo Freire os compromissos políticos. Felisbelo Freire, preterindo Fausto Cardoso, nomeou o Monsenhor Olímpio Campos Intendente de Aracaju, causando a reação imediata de Sílvio Romero, que anunciou seu intento de voltar à cena, como deputado. Em 1892, fica novamente viúvo. Em 1894, Sílvio Romero retorna, mais uma vez, a Sergipe para enterrar o velho pai, de 80 anos, falecido em Lagarto. A família se reúne e Benilde Romero, que dividia as atividades de Juiz de Direito e de chefe liberal de Lagarto, estimula uma candidatura, apoiada pelo velho amigo Martinho Garcez. Não vingou. Foi preciso, mais adiante, que um acordo inusitado entre Martinho Garcez e Olímpio Campos incluísse o nome de Sílvio Romero na lista dos candidatos. A eleição, no entanto, ocorreu apenas para o biênio 1900-1902. 
 Em 1897, Sílvio Romero, José Veríssimo e outros intelectuais fundaram a Academia Brasileira de Letras, assumindo a cadeira 17, cujo patrono é Hipólito da Costa (pai da Imprensa Brasileira e um dos fundadores de Brasília). Ele queria a Cadeira de Tobias Barreto, escolhida por outro descendente da Escola do Recife, o escritor Graça Aranha. Ativo integrante do Sodalício, colaborador freqüente da Revistada ABL, Sílvio Romero teve ocasião de fazer antológicos discursos, como o que recebeu Euclides da Cunha, no dia 18 de novembro de 1906. A saudação a Euclides da Cunha, a quem Sílvio Romero sempre admirou e de quem foi colega no magistério, é uma das mais belas e corretas falas do escritor e crítico sergipano, que faz uma síntese do processo de evolução cultural e social brasileiro, tomando a si a defesa da Escola do Recife, dos seus postulados e seus integrantes, especialmente Tobias Barreto de Meneses. A cadeira de Sílvio Romero na Academia Brasileira de Letras vem sendo ocupada por ilustres intelectuais e críticos, como Osório Duque Estrada, Roquete Pinto, Álvaro Lins, Antônio Houaiss e Afonso Arinos de Melo Franco.
Dona Maria Petrolina Pereira Barreto Romero (Mocinha)Doente, Sílvio Romero empreende, em 1900, uma viagem à Europa, saindo pela primeira vez do Brasil. Embarca no transatlântico argentino La Plata, no Rio de Janeiro, às 8 horas da noite do dia 20 de junho, com destino a Lisboa, com escala em Dakar, na África. Leva três livros: A Sociologia, de Herbert Spencer, que considerava o grande filósofo do século XIX, El Quijote, de Cervantes, e Un Corazón ele Mujer, de Bourget. Visitou Lisboa e seus arredores, o Porto e pequenas povoações do Norte de Portugal, Madri e Paris, antes de retomar, em novembro do mesmo ano, trazendo boa impressão e a saudade dos amigos José Antônio de Freitas, brasileiro, Ramalho Ortigão, Abel Botelho, Leite de Vasconcelos, Lírio de Assunção e Fernando Costa. Num dos seus contatos com Sergipe, Sílvio Romero conheceu D. Maria Petronila Pereira Barreto, irmã do poeta João Pereira Barreto, autor de Selvas e Céus, com quem casou e com quem teve 12 filhos, a saber: Aquiles, Maria, Maria Sílvia, Josefina Solita (Mimosinha), Irene, Ruth, Osvaldo, Odorico, Arnaldo, Regina, Maria Alice e Lauro. Os três casamentos de Sílvio Romero deram a ele 19 filhos, sendo quatro com Dondon, três com Vidinha e 12 com Maria Petronila, a D. Mocinha. Alguns autores chegam a registrar 20 filhos (d´Almeida Victor) e 23 filhos (Pinto Ferreira). De todos os filhos, porém, foram poucos os seguidores da carreira do pai. Sílvio Romero Filho, que seguiu a carreira diplomática, Nelson Romero, que foi professor e organizou nova edição da História da Literatura Brasileira, e ainda Edgar Romero foram os mais destacados. Entre os irmãos, Sílvio Romero era próximo de Benilde, que estudou Direito no Recife, Nilo Romero, que foi magistrado no Rio de Janeiro, Joviniano Romero, médico e um dos mais apaixonados germanistas do seu tempo. Outro irmão, Celso Romero, era alta patente da Marinha e esteve na escolta de Pedro II quando da proclamação da República.
No governo de Campos Sales (1898-1902), foi deputado provincial e depois federal pelo Estado de Sergipe. Nesse último mandato, foi escolhido relator da Comissão dos 21 do Código Civil (comissão encarregada de rever o Código Civil na função de relator-geral) e defendeu, então, muitas de suas idéias filosóficas. 
Foram quatro discursos em 1900, dois em 1901 e um em 1902, tratando de assuntos gerais da vida brasileira. Um dos seus colegas na Câmara Federal, o também sergipano Fausto Cardoso, lamentou que Sílvio Romero não continuasse no Parlamento brasileiro, uma vez que saiu candidato pelo Distrito Federal, com apoio explícito do Barão do Rio Branco. 
Disse Fausto Cardoso, em emocionado discurso: “Pode Sílvio morrer, como morreu Tobias; e quando ele morrer, podem-lhe fazer os mais grandiosos funerais, prestar-lhe as maiores honras, escrever sobre ele os mais belos artigos e biografias; tudo desaparecerá; só ficarão de pé, quanto se quiser, no correr dos séculos, sondar a evolução do pensamento brasileiro, ainda quando todo o Brasil seja reduzido a um território estrangeiro, só ficarão de pé essas obras grandiosas dos filhos de Sergipe, a transmitirem de geração em geração a glória dos seus nomes, a glória do Brasil, a glória de terra pequenina e abandonada, a qual, como uma grande flor machucada pela Nação, a embriagar desse esquisito perfume cujas emanações são luminosas - o talento”. Fausto Cardoso, que tinha sido discípulo dileto de Tobias, também tomara partido, em Sergipe, contra o grupo político do Monsenhor Olímpio Campos. E assim como Sílvio Romero, em 1894, no dia 11 de setembro, inflamou a massa na praça principal de Aracaju, a do Palácio, depondo o então Presidente do Estado, o general José Calasans, Fausto Cardoso depôs o Presidente Guilherme Campos, irmão de Olímpio, que à época era Senador, em agosto de 1906, morrendo na mesma praça que hoje leva o seu nome. A morte trágica de Fausto Cardoso cobriu de luto Sergipe, tendo os seus filhos assassinado, no Rio de Janeiro, Olímpio Campos, encerrando um ciclo oligárquico, com profundos antagonismos, oriundos das lutas intelectuais da Escola do Recife.
Na imprensa do Rio de Janeiro, Sílvio Romero tornou-se literariamente poderoso. Admirador incondicional de Tobias Barreto, nunca deixou de colocá-lo acima de Castro Alves; além disso, manteve, durante algum tempo, uma certa má vontade para com a obra de Machado de Assis. Sua crítica motivou Lafayette Rodrigues Pereira a escrever a defesa de Machado de Assis, sob o título Vindiciae.
Como polemista, deve-se mencionar, ainda, a sua permanente luta com José Veríssimo,colega do Colégio Pedro II, de quem o separavam fortes divergências de doutrina, método, temperamento, e com quem discutiu violentamente. Nesse âmbito, reuniu as suas polêmicas na obra Zeverissimações ineptas da crítica (1909). Uma dessas lutas remete ao fato de que Sílvio Romero costumava alardear que sabia ler em alemão e certa vez José Veríssimo havia galhofado que aquele lia os autores germânicos em traduções francesas.
Jubilou-se como professor do Internato, em 2 de junho de 1910.
 Desde criança, no contato com os escravos da família, em Lagarto, Sílvio Romero foi atraído pelo universo cultural popular. Quando esteve em Estância, em Sergipe, como Promotor, recolheu a versão de La Condessa, transcrita, finalmente, nos seus ensaios intitulados Novas Contribuições para o Estudo do Folclore Brasileiro, publicados em 1912, na Revista da Academia Brasileira de Letras.
Romero foi um pesquisador bibliográfico sério e minucioso. Preocupou-se, sobretudo, com o levantamento sociológico em torno de autor e obra. Sua força estava nas idéias de âmbito geral e no profundo sentido de brasilidade que imprimia em tudo que escrevia. A sua contribuição à historiografia literária brasileira é uma das mais importantes de seu tempo, o que pode ser comprovado na obra o Pioneirismo de Sílvio Romero na Historiografia da Literatura Brasileira, escrita por Rusel Barroso.
Sílvio Romero era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e de diversas outras associações literárias. Nessa trajetória, foi também um dos grandes responsáveis pela valorização das tradições populares, recolhidas nas obras sobre o folclore.
Sua força estava nas ideias de âmbito geral e no profundo sentido de brasilidade que imprimia em tudo que escrevia. A sua contribuição à historiografia literária brasileira é uma das mais importantes de seu tempo. Limitou-a a seus aspectos sociológicos, no que fez escola no Brasil.




OBRAS:

Filosofia, política e sociologia:

·        A filosofia no Brasil: ensaio crítico. (1878)
·        Interpretação filosófica na evolução dos fatos históricos. (1880)
·        Ensaios de philosophia do direito. (1885)
·        Ensaios de philosophia do direito. Apêndice Gumercindo Bessa. (1895)
·        Ensaios de philosophia do direito. 2. ed. (1908)
·        Ensaios de filosofia do direito. (2001)
·        A filosofia e o ensino secundário. (1885)
·        Doutrina contra doutrina; o evolucionismo e o positivismo no Brasil. (1894)
·        Doutrina contra doutrina; o evolucionismo e o positivismo no Brasil. (1895)
·        Obra filosófica. Introdução e seleção Luís Washington Vita. (1969)
·        Ensaios de crítica parlamentar. (1883)
·        As formas principais da organização republicana. (1888)
·        Parlamentarismo e presidencialismo na república brasileira; cartas ao conselheiro Rui Barbosa. (1893)
·        Discursos. (1904)
·        O alemanismo no sul do Brasil; seus perigos e meios de os conjurar. (1906)
·        O Brasil social; vistas sintéticas obtidas pelos processos de La play. (1907)
·        Geografia da politicagem. (1909)
·        Bancarrota do regime federativo na república brasileira. (1910)
·        Provocações e debates; contribuição para o estudo do Brasil social. (1910)
·        O castilhismo no Rio Grande do Sul. (1910)
·        O Brasil na primeira década do século XX. (1912)
·        O remédio. (1914)
·        A união do Paraná e Santa Catarina: o Estado de Iguassú. (Extratos de uma série de artigos publicados no Jornal “A ‘Época” da capital Federal, em nov. 1912).
·        Parlamentarismo e presidencialismo. (1979)
·   Realidade e ilusões no Brasil; parlamentarismo e presidencialismo e outros ensaios. (1979)
·        O Brasil social e outros estudos sociológicos. (2001)

Estudos literários:

·        A poesia contemporânea. (1869)
·        A literatura brasileira e a crítica moderna; ensaio de generalização. (1880)
·        Introdução à história da literatura brasileira. (1882)
·        O naturalismo em literatura. (1882)
·        Valentim Magalhães; estudos críticos. (1885)
·        Estudos de literatura contemporânea; páginas de crítica. (1885)
·        História da literatura brasileira, vol. I e volume II. (1888)
·        História da literatura brasileira. 2. ed. melhorada pelo autor. (1902)
·        História da literatura brasileira. 3. ed. melhorada. (1943)
·        História da literatura brasileira. 5. ed. (1953)
·        História da literatura brasileira (Edição comemorativa). Organização Luiz Antônio Barreto. (2001)
·        Excerto da “História da Literatura Brasileira” Relativo à imigração e ao futuro da raça portuguesa no Brasil. (1891)
·        Luiz Murat; estudo. Rio de Janeiro:Leuzinger, 1891. 57 p.
·        Machado de Assis; estudo comparativo da literatura brasileira. (1897)
·        Machado de Assis; estudo comparativo da literatura brasileira. 2. ed. (1936)
·        Novos estudos da literatura contemporânea. (1898)
·        Martins Penna; ensaio crítico com um estudo de Arthur Orlando sobre o autor de História da Literatura Brasileira. (1900)
·        A literatura brasileira. (1900)
·        Ensaios de sociologia e literatura. (1901)
·        O Duque de Caxias e a integridade do Brasil. (1903)
·        Parnaso sergipano, volume I e volume II, (1904)
·        Passe recibo (réplica a Teófilo Braga). (1904)
·        Evolução da literatura brasileira; vista sintética. (1905)
·        Evolução do lirismo brasileiro. (1905)
·        Outros estudos de literatura contemporânea. (1905)
·        Compêndio da história da literatura Brasileira. (1906)
·        Compêndio da história da literatura Brasileira. 2. ed. [Em colaboração com João Ribeiro]. (1909)
·        Quadro sintético da evolução dos gêneros na literatura brasileira. (1909)
·        Da crítica e sua exata definição. (1909)
·        Zéverissimações ineptas da crítica; repulsas e desabafos. (1909)
·        Carlos Süssekind de Mendonça. Sílvio Romero de Corpo Inteiro. (1941)
·        Minhas contradições. (1914)
·        Teoria, crítica e história literária. [Seleção e apresentação Antônio Cândido]. (1978)
·        Introdução doutrina contra doutrina. (2011)

Coletâneas e cultura popular:

·        Etnologia selvagem; estudo sobre a memória “Região e raças selvagens do Brasil”. (1875)
·        Cantos populares do Brasil, volume I e volume II. [Introdução e notas Theofilo Braga]. (1883)
·        Cantos populares do Brasil. [Introdução e notas Theofilo Braga]. 2. ed. (1894)
·        Lucros e perdas; crônica mensal dos acontecimentos. Rio de Janeiro, 1883.
·        Contos Populares do Brasil. (1885)
·        Contos Populares do Brasil. 2. ed. melhorada. (1897)
·        Uma esperteza: os cantos e contos populares do Brasil e o Sr. Theophilo Braga. (1887)
·        Estudos sobre a poesia popular do Brasil. (1888)
·        Estudos sobre a poesia popular do Brasil. (1977)
·        Etnografia brasileira; estudos críticos sobre Couto de Magalhães, Barbosa Rodrigues; Theophilo Braga e Ladislao Netto. (1888)

Poesia:

·        Cantos do fim do século. (1878)
·        Últimos harpejos. (1883)

História:

·        A história do Brasil ensinada pela biografia dos seus heróis. (1890)
·        A história do Brasil ensinada pela biografia dos seus heróis. 2. ed. [Prefácio e vocabulário João Ribeiro]. (1892). (Livro para as classes primárias)
·        O antigo direito em Espanha e Portugal. (1894)
·        O elemento português no Brasil. (1902)
·        A América Latina. (1906). [Análise do livro de igual título do Dr. M. Bonfim].
·        A pátria portuguesa; o território e a raça. (1906). [Apreciação do livro de igual título de Theophilo Braga].
·        Trechos escolhidos. 2. ed. (1975).






BIBLIOG. — Cantos do fim do século. Rio, 1878 ; Últimos harpejos. Porto Alegre, 1885
REFERÊNCIAS:
LIMA, Jackson da Silva. História da Literatura Sergipana. Vol. II. Fase Romântica. Aracaju, Fundesc, 1986.



ROMERO, Sílvio. Parnaso Sergipano – Edição Comemorativa: Organização Luiz Antônio Barreto. Rio de Janeiro, Imago Editora, 2001.

Sílvio Romero – Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADlvio_Romero>. Acesso em 13 de jul. de 2013.





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http://istoesergipe.blogspot.com/2017/03/silvio-romero-1851-1914.html
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http://usuarioweb.infonet.com.br/~direitoepoesia/silvioromero_biografia.asp

http://silvio-romero-o-ilustre.blogspot.com/

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