Filmes silenciosos- Le coucher de la Mariée


Le coucher de la Mariée (1896)




O filme é um clássico dos anos 90. Precisamente de 1896 e conta a história de um casal no quarto que inicialmente estão flertando entre si, sentados em cadeiras. Cenas passam até que a moça decide se despir. Pelo título (em inglês The bedtime of bride- A hora de dormir da noiva), eles aparentemente são recém-casados e estão altamente felizes do acontecimento e que estão finalmente juntos (a julgar pelas vestes que cada um usa). No primeiro momento, o homem parece insistir que ela vá se desfazendo de pouco a pouco dos objetos que segura, das obrigações, das coisas supérfluas (afazeres, de maneira geral) pra chegar um instante em que ela tire as vestes e possam curtir as núpcias. Ela parece perceber a intenção e entre os flertes, seu marido indica, apontando com o indicador para o relógio ; é a "le coucher de la Mariée" (hora deles dormirem na cama). Nesse instante ela concorda até, a noiva decide se despir, mas por vergonha, pede-lhe que saia. O moço insiste em ficar, no entanto. Há um biombo perto deles e ela, toda sorridente, mas ainda assim vergonhosa, após as insistências do seu companheiro, decide que ele pode ficar, mas com uma condição: tem que prometer não olhar. Ele tenta insistir, mas por fim concorda com o trato.
A partir disso, enquanto ele vai atrás do biombo e fica por lá, ela repete-lhe mais uma vez para ele sentado em uma cadeira num canto, que nem pense em olhar. Enquanto ela se deleita em sonhar com seu fantástico e enebriante sorrisinho sonhador, se desfazendo das roupas, boba-alegre, talvez ansiosa para o momento, o sentimento é mais forte do que qualquer coisa naquele instante e ele, do outro lado, tenta se distrair ao máximo... a pensar: que coisas podem ser feitas para aquele momento? por que parece estar mais quente agora? Daí, ele decide ler um jornal enquanto aguarda sua amada, que está se desfazendo, de pouco a pouco das vestes... Ela as vai pegando do chão e tal qual uma mãe põe seu filho dorminhoco na cama em um voo suave do colo para a cama, ela vai pousando as roupas em uma cadeira ali mesmo ao seu lado (a cadeira na qual ela estava sentada). É muita roupa, até para se permitir uma arfada! Mas tudo tão lentamente quanto um belo ritual!

Ela está se fazendo dos laços, fitas, das roupas de baixo quando o jornal já não parece tão sensato para se ter uma distração naquele momento para o homem. Irrita-o ter que esperar! Então, de repente, uma pequena ideia antes de se atrever a encerrar aquela demorada espera, o atinge: ele se permite, por um pouquinho só de tempo, dar uma espiadinha, por um instante, um instantezinho só em sua amada... Uma pequena espiada, não fará tão mal, certo? E vagarosamente enquanto ele vem e volta, quase nem acreditando que aquela ali é sua esposa e ela está tão fantástica, ela vai se despindo.
Ela está tão incrível e a comoção de seu marido é tanta que o disfarce não é o suficiente para que ela não perceba, do seu lado, que ele está a espiando: Nesta hora, um sorriso esperto dela: "ahhhh, ele está olhando né!", mas nem chega a lhe incomodar tanto, pelo contrário: outro sorriso bobo desperta entre os lábios: vai ser uma bela noite. Pega um espelho da cama para deslumbrar seu rosto outra vez, seu corpo sem o espartilho, acaba-o vendo outra vez através do reflexo "bobo!".

Conhecido como o primeiro filme erótico, o filme foi produzido em Paris no ano de 1896, produzido por Eugène Pirou e direcionado por Albert Kirchner sob o pseudônimo de "Léar"




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